E mesmo assim
Eu continuo a andar com pés de vidro
Empurrando com todas as minhas forças
Continuo sufocando em um mar de lama
E a vida continua a rir de mim
Eu continuo morrendo por dentro
E sorrindo lágrimas por fora
Tristeza é parte do cotidiano
E felicidade nunca aconteceu
Eu continuo perdoando demais
Empurrando os “nãos”
Continuo levando chute
Empurrando a carência acumulada
Eu continuo guardando carinho para nada
Empurrando o orgulho com os olhos fechados
Continuo me humilhando por uma gota de amor
Que ainda vem suja
Continuo a amar sem ser amada
Empurrando sofrimento garganta abaixo
Continuo a ter raiva e obedecer mesmo assim
Eu continuo a ser o brinquedo coletivo
Que não quebra fora, mas se despedaça por dentro
E o pior
Continuo a ser tudo isso
E não conseguir derramar uma lágrima sincera.

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